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quarta-feira, 25 de novembro de 2015

A profanação da Eucaristia

Não me lembro qual foi o professor que nas aulas do curso de Teologia insistia que as hóstias consagradas estavam acima de qualquer profanação. O Santíssimo Sacramento, pelo seu altíssimo valor, supera qualquer desrespeito ao elemento do pão usado na Eucaristia. Por isso concluo que a profanação da Eucaristia só acontece se alguém proclamar que há profanação. Só há profanação quando alguém admite que tal aconteceu.
Daí o meu espanto perante esta proclamação do arcebispo de Pamplona: «Profanação gravíssima que ofende a fé, sentimentos e prejudica a liberdade religiosa», porque um «artista» utilizou 240 hóstias consagradas para executar uma «obra de arte». E vai mais longe o Arcebispo de Pamplona e bispo de Tudela, Francisco Perez, convocou para esta quarta-feira (hoje) duas missas de reparação em resposta à exposição sacrílega «Desenterrados» do artista Abel Azcona, que utilizou mais de 240 hóstias consagradas para escrever a palavra «pederastia» num projeto denominado «Amém».
Melhor publicidade não podia ter a «dita profanação», a exposição. Obviamente, que os promotores da exposição não esperavam outra coisa senão mesmo uma reação acutilante e empolgante da entidade eclesiástica. Daí que a publicação da ofensa veio dar mais projeção e contribuir para que mais público venha ver a exposição. A coisa religiosa quando dá polémica vale ouro. Neste caso não será diferente.
Alguns dirão que quem não se sente não é filho de boa gente. É verdade. Mas não será melhor fazer valer outra atitude diante de uma realidade que se pretende ser divina? – Porque se trata de uma realidade divina deve estar muito acima de qualquer profanação ou ofensa deste mundo. Bastava dizer isso. Assim, mantenho a ideia de que em relação à Eucaristia e em relação a todas as coisas consideradas sagradas ou consagradas, o que isso é e representa está muito, mas mesmo muito acima de qualquer desrespeito que alguém entenda infligir. Até porque em cada missa podem estar as piores pessoas do mundo, mas não deve isso significar que a dimensão divina que esse gesto representa venha a ser beliscado. 
Deus é maior do que tudo e a ninguém designou para definir o que O ofende a partir de elementos materiais. Até porque o «corpo de Deus» é profanado todos os dias nas vítimas da violência, no desrespeito das crianças inocentes, nos indefesos marginalizados que este mundo todos os dias profana votando ao sofrimento e à morte, só porque se organizou de forma injusta e não se importa nada com o bem comum. É por causa destas profanações que eu gostava que se organizasse missas de reparação. 
O mais interessante desta suposta profanação, era saber se a ofensa está verdadeiramente no facto de terem sido roubadas (profanadas) hóstias ou se a ofensa a advém da denúncia que a «obra» do «artista» pretende escarrapachar? – Tomou-me esta dúvida.   

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