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sábado, 30 de dezembro de 2017

O Ano Novo é um brinde

O caminho faz-se caminhando 
Desejo para todos um ano de 2018 cheio de tudo o que é necessário para sorrimos e sermos felizes! Agora brindem comigo ao novo ano, com as palavras seguintes... Divirtam-se em paz!

Todo o ano são dias novos
é uma flor que se desvela
entre o ciclo das luas
que as estrelas atestam
na alegria das crianças
na esperança que se refaz
no olhar e nas mãos 
que os homens brindam
ao desejo da paz.

Todo o dia é sempre novo
é as cores na harmonia
é beleza da natureza
que refresca o rosto
com a brisa suave pelo chão
naquela essência da vida
sentida pelo olhar
que se move pela mão.

Todo o momento é novo
naquele sinal cristalino
se sou o mar e a areia
como servo por favor
levado pelas ondas
na clara luz das praias
sob o sol e o luar do amor.

Toda a hora é nova
mesmo até na escuridão
do mistério das estrelas
que iluminam o universo
na simplicidade do tempo
círculo infinito de prazer
destino secreto dos entes
que em silêncio na terra funda
faz germina as sementes.

Todo o minuto é novo
mesmo que pequeno
anónimo para sempre
mas imenso como céu
no movimento constante
pela Terra que teimosamente
gira na casa comum
do mundo novo como sonho
renovado nas flores
que nos quebra a monotonia
e o sacrifício da existência
quando reclama a vida
mesmo com algumas dores.

Todo o segundo é novo
como chuva que no orvalho
sobre as folhas gota a gota
faz o cheiro novo da terra
que foi molhada recentemente
mas que o sol levanta o bafo
condensado da serenidade
do chão do mundo renovado.

Tudo pode ser novo
quando cada um quiser
como as flores que desabrocham
e as árvores rebentam
o perfumam os cantos generosamente
pelas folhas da paz
pelos frutos da esperança
se tudo se harmoniza em missão
do serviço do dever cumprido
que anuncia cada primavera
quando começa no coração.

Ninguém se sinta incapaz
todos são vontade
vida inteira de felicidade
se na alegria se constrói
o pão partilhado
pela bondade
que se vislumbra na acção
quando é celebrado o dom
do outro como igual na mesa
se o acolhemos como irmão.
JLR 

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Em todos os jardins

 Mergulhemos no Mistério....

Em todos os jardins hei-de-florir,
Em todos beberei a lua cheia,
Quando enfim no meu fim eu possuir
Todas as praias onde o mar ondeia.

Um dia serei eu o mar e a areia,
A tudo quanto existe me hei-de unir,
E o meu sangue arrasta em cada veia
Esse abraço que um dia se há-de-abrir.

Então receberei no meu desejo
Todo o fogo que habita na floresta
Conhecido por mim como num beijo.

Então serei o ritmo das paisagens,
A secreta abundância dessa festa
Que eu via prometida nas imagens.

Fonte: Sophia de Mello Breyner Andresen. Obra poética. Porto: Assírio & Alvim, 2015, p. 104.

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

O regresso à família

Pão quente da Palavra:
Domingo da Sagrada Família
Perante as múltiplas barbaridades que a sociedade actual apresenta, estão a tornar-se muito frequentes as opiniões que defendem o regresso à educação tradicional. Outros ainda vão mais longe, tendo em conta que os comportamentos que alguma sociedade apresenta, defendem que a verdadeira educação só pode ser garantida pela família tradicional.
Obviamente, que diante destas perspectivas muitos acharão que estamos perante o regresso a um conservadorismo piegas, compreensível apenas nos meandros de uma qualquer instituição de caris religioso. A questão é mais séria do que se pensa, neste caso não contam os preconceitos, é preciso antes de tudo colocar o dedo na ferida e procurar curá-la.
Antes de mais, é necessário salvaguardar que dizer o "regresso à família tradicional" é apenas uma forma de reforçar a ideia. Por isso, dizer "regresso à família tradicional" é o mesmo que dizer "só uma verdadeira família pode ser criadora de homens e mulheres autênticos para viverem em sociedade". Não se trata propriamente de um regresso, mas antes de um tomar a sério os valores que só as famílias podem incutir no coração daqueles que gera.
Todos os problemas actuais de violência e de perversão sexual, têm uma origem comum, a família ou a ausência dela. Na maioria dos casos a origem radica no mau ambiente familiar, isto é, são filhos de pais alcoólicos ou de mães irresponsáveis que pura e simplesmente abandonaram os seus filhos.
Ambientes familiares onde predominam, a demissão frequente dos pais, a palavra ensurdecedora e a pancada como único método de resolução de problemas e como única forma de impor autoridade, só podem gerar gente insensível, violenta, desonesta, corrupta e perversa sexualmente.
Quando se fala em regresso à família tradicional, falamos de que é necessário retomar a transmissão dos valores no seio familiar. A verdadeira educação para a liberdade e para a sexualidade integrada nunca pode ser transmitida por terceiros, mas sim pelos pais que devem ser os principais amigos dos filhos. Se os filhos não encontram abertura para o diálogo com os pais, procurarão fora de casa entre os companheiros, que é a pior forma para aprender tudo o que diz respeito à intimidade.
Quando se fala de educação sexual nas escolas, penso que é uma boa medida e que pode ser um complemento daquilo que as crianças, os adolescentes e os jovens aprendem no seu ambiente familiar. Porém, dessa educação sexual é preciso desconfiar sempre, porque na maior parte dos casos reduz-se a pura informação sexual. Ora, informação é fácil de se fazer e está aí à mão de todos, mas verdadeira educação, com referências positivas, só portas adentro e no segredo da intimidade, da afectividade e do amor. Quem melhor pode realizar isto verdadeiramente? - Só os pais.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Três momentos na vida da Igreja da Madeira em 2017

1. A queda da árvore no Monte que ceifou a vida a 13 pessoas e deixou outras feridas e uma população inteira da Madeira chocada e incrédula com o sucedido precisamente na ocasião em que se celebrava a Eucaristia solene em honra de Nossa Senhora do Monte (15 de Agosto), padroeira da Ilha da Madeira. Alguns, porque não deram o salto daquela religiosidade coisificada da compensação e do castigo, continuam a atribuir a queda da árvore sobre o chão do Largo da Fonte, matando pessoas e ferindo outras, a uma intervenção divina, como se as responsabilidades sobre as realidades deste mundo não pertencessem à humanidade.
Deus, todas as outras pessoas divinas e as coisas relacionadas com Ele, servem para nos tornarem mais responsáveis, mais humanos e mais atentos a tudo o que nos rodeia para cuidarmos de tudo com dedicação e zelo. Por isso, o medo ainda não se dissipou sobre a alegada responsabilidade da Igreja do Monte (Diocese do Funchal) sobre a queda da árvore. Aquele despique inicial de passa culpas entre a Igreja do Funchal e as autoridades camarárias foi bem elucidativo, porque, tudo indica que a fatal árvore estava plantada em terreno pertencente à Igreja do Monte, mas os cuidados de limpeza e trato das árvores eram feitos pela Câmara. 
Enfim, por que se faça agora, a infelicidade dos que morreram, as dores dos feridos e familiares, nada nem ninguém, conseguem remediar. Que fique a lição e que em nome desta desgraça se tomem todos os cuidados para que não se repitam tragédias do género.

2. Outro elemento mais polémico e mais marcante deste ano de 2017 para a Igreja da Madeira, foi o padre Giselo ter assumido a paternidade de uma Menina em circunstâncias que só a mãe, o pai e Deus é que sabem, (e provavelmente o Bispo do Funchal, o sr. D. António Carrilho). Sim, digo deste modo, porque tudo o que se soube nada foi confirmado, a comunicação social foi-nos dando conta do diz-se, diz-se, mas efectivamente de coisas concretas nada. Como é óbvio e como se sucede em todas as coisas, uns favor do padre e outros contra. Facto mesmo é padre Giselo mantém a sua vida em condições aparentemente normais. Nada se alterou na vida dele como padre e pároco, nada na Igreja da Madeira e muito menos ainda na Igreja Universal. 
Contundo, foi interessante notar que o debate sobre o celibato apareceu inevitavelmente e a sociedade em geral queria ver os padres todos casados e com filhos. Mas, ainda mais foi interessante, constatarmos que durante muitos anos tivemos a multidão dos clérigos celibatários a produzir doutrina, regras e tudo o que era necessário para termos casais e famílias felizes. Coisa estranha, obviamente! Mas, agora também estranhamente, voltando-se o bico ao prego, temos uma sociedade inteira especialista em celibato e na vida sexual dos padres. Por isso, todos sabem como se resolve todos os problemas relacionados com todas as misérias que o «diabolizado» celibato acarreta. 
Não deixa de ser curioso, virem os «melhores» pronunciamentos de uma multidão de divorciados, recasados várias vezes e quiçá de muitos que nunca souberam o que seria fidelidade, paciência na criação dos filhos, compromisso e tudo o que implica responsabilidade quando se faz parte de um grupo seja pequeno ou grande, seja familiar ou do trabalho, da igreja ou de outro grupo qualquer de pertença...

3. O terceiro momento deve-se aos 500 anos da Dedicação da Sé Catedral do Funchal. O edifício mais monumental e mais emblemático que nós temos na Madeira. Pode ser que o Savoy ganhe à Sé em tamanho e em fama, mas duvido que dure tanto tempo.
Mas, vamos à Sé, porque o Savoy é contas de outro rosário. A celebração de mais uma realidade entre nós com 500 anos a par dos outros 500 anos da Criação da Diocese do Funchal em 2014 serviram para pouco e como já vai sendo hábito entre nós, das celebrações destas ocasiões, ficam quase nada, por isso, a celebração da Dedicação dos 500 anos da Sé do Funchal seguiu o mesmo caminho. 
É uma pena, porque a Sé do Funchal, dado que está situada no coração da cidade do Funchal, podia tornar-se um pólo central na pastoral da Igreja da Madeira, isto é, ali podia existir muito mais do que o pacote das missas diárias, podia além disso ser uma «escola» de arte, com cultura diversificada, virada para uma atenção especial aos mais pobres, particularmente, os que vagabundeiam pela cidade. A devia Sé o «coração» que marcava e irrigava o «corpo» todo da Igreja da Madeira.

Post sicriptum: Podia ainda referir-me a outras situações também marcantes da vida da Igreja da Madeira em 2017, por exemplo, as recentes «Missas do Parto», que se tornaram para muita gente uma festa artificial, patrocinadas pelas juntas de freguesia e outras forças vivas da sociedade. São uma oportunidade para muita diversão, comer e beber… Afinal, uma moda que o tempo encarregar-se-á de purificar ou acabar. Quanto ao restante, nada passou do adquirido e habitual. Continuemos com a festa feliz rumo ao novo ano 2018 que se advinha.

sábado, 23 de dezembro de 2017

Retrato do rei Menino Deus desconhecido

Deixo-vos este «Comensal divino» para os nossos dias da FESTA, com o desejo do tamanho do mundo, que a alegria da comemoração do Natal de Deus nos faça renascer sempre para a «vida nova», para a paz e para a felicidade...
Natal 2017 

As mãozinhas delicadas descem do pescoço pelos braços
Para que os dedos estejam formados mesmo que fininhos
Apontando para os olhos frontais e limpos dos anjos e dos pastores.
A coluna toda direita e encadeada pelos ossos do amor do pai e da mãe,
Segura a cabeça delicada mas erguida sobre o altar da salvação do mundo.
Com aquela promissora luz sobre a testa
Por onde vários milhões de condenados encontraram a morte
O corpo dobrado pela escravidão sem mãos e sem pés pacientes
Que servissem o pão aos príncipes filhos do Deus pequenino revelado.
Ei-lo sobre palhas toscas grosseiras e bafientas de animais bem aventurados
Ao contrário dos cruéis e fraudulentos grilhões do mundo dilacerado
Sem amor encantado pelo sonho morto do desespero.

Há hossanas e glórias incontáveis de geração em geração
Para que Ele fosse Deus Menino rei promessa de libertação.
Solitário e desamparado sobre a cruz futura que a Estrela de Belém,

Os anjos e os Magos anteviram o Verbo e a minha fé nesta visão.

JLR

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

A minha Festa

Comensal Divino
Obrigado amigo Donato Paulo Vares Macedo...
Falar da minha Festa é sobretudo um exercício de recuo no tempo. À memória olfactiva e dos sentidos de coração cheio, pleno de alegria inocente próprio das infâncias felizes. Desta sorte retenho sobretudo a alegria e o Amor, sobretudo o Amor vivido em família e nas vivências da Fé naquele tempo de Advento que precede a Festa do Nascimento do Menino-Jesus.
Lembro-me de muito novo ir às Missas do Parto, sobretudo à capela da então denominada Escola Salesiana de Artes e Ofícios (onde era aluno) e à Igreja do Socorro. Na escola haviam festejos, música, cerimónias e autos de Natal feitos pelos alunos. Muitos de nós - ex-alunos - conservam estas deliciosas memórias emolduradas no canto dourado do nosso coração.
Tal como hoje as ruas engalanavam-se de gambiarras e dentro de casa, saíam dos caixotes os pastores a sagrada família, os reis magos, os anjos e outros figurantes de barro que compunham a nossa lapinha com papel que nós pintávamos no terraço nas semanas anteriores. Com todos estes, extraíam-se os pós de cores e brilhantes polvilhados no escuro do papel pintado, que era moldado debaixo duma estrutura de velhas socas pregadas em caixas de madeira e outros tabuados, que iam dando forma ao relevo que se pretendia recriar. As searas iam guarnecendo os limites da sagrada recriação numa alusão ao pão nosso de cada dia, assim como as frutas, os perinhos do Vale Formoso que íamos comprar à Camacha. Por fim o alegra-campo emprestava o verde fresco em torno da parte superior do nosso presépio que subia pela parede de pedra até quase ao tecto. Nalguns anos chegava mesmo ao tecto.
A gruta do nascimento era naturalmente o centro do presépio, onde estava a sagrada-família. 
Enquanto criança o Pai Natal era uma figura incontornável no meu imaginário e de quase todas as crianças. Adorava sempre que meu pai parava o carro à noite em frente da "Estilográfica" para ver o velhote de vermelho e barba branca dançante rodeado de brinquedos e pistas de comboios irrequietos, tal como o espírito dos petizes seduzidos de olhos petrificados na montra.
Mas, meto-me dentro da máquina do tempo e regresso ao presente, ainda com uma criança dentro de mim, como acredito que todos tenhamos. Revejo com alegria um regresso em força das nossas tradições da fé natalícia, como são o caso das Missas do Parto enquanto elemento distintivo dos ritos madeirenses de Natal, tão acarinhados por novos e menos jovens. É certo de que eu não sou sequer muito praticante deste rito da época, mas é indubitável que move muita gente, num ritmo onde o pagão e o espiritual estão presentes, mas sobretudo o convívio e a alegria. Aliás, é um palco muito aproveitado por políticos locais para marcarem presença e serem vistos, ainda que ao longo do ano, nunca pisem um templo, tal como eu.
Sim, o Natal é um momento alto do consumo, dos presentes. Tal como outros momentos festivos do nosso calendário.
Todavia a confraternização e a alegria, são valores de proximidade entre todos que importa relevar a que a espiritualidade natalícia nos impele.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

O mistério de Deus escondido revelou-se

Pão quente da Palavra
No último domingo do Advento, a Liturgia intensifica o apelo à descoberta da vida plena e da salvação definitiva de Deus que nos é oferecida com a Incarnação de Jesus. O Natal é a manifestação dessa oferta.
A primeira leitura apresenta uma promessa que Deus faz ao rei David, anunciada pelo profeta Natã. O profeta garante que Deus nunca abandonará o seu povo e que o guiará sempre para a felicidade. O desejo profundo de Deus é oferecer ao seu povo a estabilidade, a prosperidade, a segurança, a paz, a fartura, a fecundidade, a felicidade para sempre. Tudo o que neste mundo provoca para o contrário indigno e desumano desta realidade está contra a vontade Deus. Por isso, o
Natal quebra as correntes que amarram a humanidade no caminho da injustiça, da mentira, da corrupção, da violência e todas as desordens que põem em causa o bem e a felicidade dos povos.
A segunda leitura denomina este plano de salvação de «mistério». A palavra grega «mysterion» (Mistério) é uma palavra significativa na teologia de Paulo, ocorre vinte e uma vezes ao longo dos seus escritos. Ela refere-se ao conhecimento que vai além da compreensão de pecadores, mas, que agora tem sido graciosamente revelado por meio do Evangelho.
A própria palavra traduzida «mistério» ou «mistérios» no Novo Testamento (e estas palavras só se encontram no Novo Testamento) significa «segredo». E diante do Mistério, resta-nos o silêncio e uma verdade elementar, é mais o que não sabemos sobre a essência de Deus, do que aquilo que sabemos. Por isso, deixemos o nosso olhar interior contemplar essa realidade e isso é suficiente, para que a nossa fé encontre todo o sentido para ser útil à vida.
Neste sentido, São Paulo afirma que Deus revelou um pouco o seu «mistério» em Jesus, e, sobretudo, garante que Deus manifestou, em Jesus, a todos os povos, a fim de que a humanidade inteira integre a família de Deus.
O Evangelho mais uma vez nos atesta que Jesus faz parte da história humana, é realidade bem concreta, faz-se carne igual à nossa carne. Porém, nada disto é completamente novo, novo sim, é compreendermos que o fim deste acontecimento radica na intenção que assiste o coração de Deus que nos oferece a salvação. Mas, tudo isto acontece mediante a vontade e a liberdade dos homens e mulheres em todos os tempos quando se predispõem a dizer «sim» ao propjecto de Deus, acolher Jesus nas suas vidas e apresentar a Boa Notícia de felicidade e salvação para o mundo inteiro. Nada é feito como imposição, mas proposta livre para uma humanidade livre.
Assim começa o Natal de Jesus que deve ser o «nosso» Natal, porque Deus não precisa de nascer, mas somos nós que devemos neste tempo fazer renascer a alma para a luz da fé e da esperança apesar das sombras negras que pairam sobre o mundo que nos rodeia. Sejamos luz que brilha pujante nos caminhos da felicidade. 

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Meu Deus... e quiçá de outros também

Deus e eu

Miguel Guarda,
no seu/nosso «Deus e eu» com muitos pedidos orantes cheios de inquietude, que são também os nossos e a nossa perplexidade. Obrigado amigo e que Deus nos ajude a ver claro e com critério. A oração só tem efeito concreto quando para esse caminho conduz as atitudes dos que rezam…
Escrevo-te esta simples e singela carta na sequência de um pedido do meu amigo padre José Luís Rodrigues que, como sabes, cumpre religiosamente as regras mais elementares da Igreja, ao contrário de outros sacerdotes – desculpa tratar-te por tu, mas julgo que já termos este à-vontade, suficiente para tratar-te assim, embora como sabes nem sempre tens dados ouvidos às minhas preces.

O desafio era abordar “Deus e Eu”. Permite-me colocar o ‘Eu’ em letra grande, não para estar à altura dos teus atributos ou qualidades de omnipresença, omnipotente, omnisciente, perfeito, santo ou imutável, qualidades que estou longe de ser, acredita, mas porque entendo que está na altura de olharmos um para o outro, olhos nos olhos.

Deixa-me pedir-te algo até porque tenho visto tantos amigos meus pedirem coisas inusitadas e até se têm safado bem, de resto, a este propósito, acho que sabes bem que eles só pensam em ti na hora do aperto, sabes disso, não sabes? –, o mundo onde vivo está débil de valores e há valores morais que se perderam, fruto de uma sociedade consumista onde as governações são feitas, cada vez mais, através de uma folha de Excel.

Peço-te que, neste Advento, faças chegar aos homens valores éticos e morais. Para que se acabe com escândalos financeiros que tornam as sociedades corruptas em prejuízo dos mais frágeis e desfavorecidos.

Com a chegada desta quadra, o tempo é de esperança e de espera. Esperança num mundo melhor, mais solidário, isento de pecado e perfeitamente justo. É isso que tento fazer, embora reconheça que não seja tão perfeito quanto tu és. Sou pecador, sou sim senhor e não me orgulho disso, porém procuro a fraternidade, a paz e o amor, sabes que é assim.

Suplico-te que não deixes as ‘raríssimas’ estragarem as outras instituições que verdadeiramente têm um papel para prover tudo o que o cristão necessita – acredita em mim que existem outras ‘raríssimas’ que desempenham papel meritório e sem truques de luxuria, avareza ou de vaidade. Eu sei que tu sabes que, lá como cá, existem muitos mais homens íntegros que Paulas Britos e Costas.
Mas deixa-me pedir-te que chegues ao coração dos homens que perseguem as suas conquistas políticas, sem olhar a meios. Que lhes avives a memória que uma estrada só terá utilidade se tiverem pessoas para lá caminhar – perdoo-te se pensares na cota 500 –, que um novo Hospital só terá efeito positivo se cuidarem do actual e garantirem a saúde dos que vão erguer o futuro hospital.

Apelo para que protejas o nosso Papa Francisco, alguém que veio dar um novo alento e uma nova vida a uma Igreja que precisa de se renovar – renovar não é renovadinhos –, e que se cumpra o seu desejo, que também é meu. Quero que a Igreja vá ao encontro das suas ovelhas, caso contrário terás cada vez menos quem te siga. Ouve o que eu te digo e não faças o que eu faço.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Quando o Natal não é do agrado de todos

Querido Pai Natal,
Acharás estranho que te escreva no dia 26 de Dezembro, mas quero esclarecer algumas coisas que me ocorreram desde que te enviei uma carta cheia de ilusões na qual te pedia que me trouxesses uma bicicleta, uns patins em linha, um comboio eléctrico e um jogo de computador.
Quero dizer-te que me matei a estudar todo o ano lectivo, tanto que, não só fui dos primeiros da minha turma, como tirei nota 20 a quase todas as disciplinas e não te estou a enganar. Ninguém se portou melhor do que eu, nem com os pais, nem com os amigos, nem com os irmãos e nem com os vizinhos.
Fiz recados sem cobrar nada, ajudei velhinhos a atravessar a rua e não houve nada que eu não fizesse pelo meu semelhante e mesmo assim... que grande lata...ó Pai Natal!!!
É que... olha que deixar debaixo da Árvore de Natal, uma porcaria de um pião, uma irritante de uma corneta e uma porra de um par de meias... caramba... quem é que pensas que és ó barrigudo da trampa?
Ou seja, porto-me como um camelo o ano inteiro para que venhas com a porcaria das prendas, e como se não bastasse ao patéta do filho da vizinha, esse otário estúpido, que grita com a estúpida da mãe a torto e a direito e é um pandemónio lá em casa, tu deste-lhe tudo o que ele te pediu.
Agora quero que tu te lixes e venha um terramoto do caraças e nos engula a todos, porque um Pai Natal incompetente como tu não faz falta a ninguém.
Mas não deixes de regressar para o ano que vem, que vou rebentar à pedrada as tuas renas que hás-de vir bater com os cornos cá em baixo que te hás-de lixar. Vou começar por essa tua rena Rudolph que tem nome de maricas e hás-de andar a pé já que a bicicleta que te pedi era para ir para a escola que é longe como caraças!
Ah!... é verdade... não me quero despedir sem te mandar para aquele lugar mais velho e é pena seres tão maldoso.
Por isso aviso-te, que para o ano vais saber o que é bom para a tosse. Vou lixar o juízo a toda a gente durante o ano todo.

P.S. - quando quiseres podes vir buscar o pião, a corneta e as meias, mas acorda-me para eu te tos enfiar por aquele lugar acima.
Elói Merêncio

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

Entrou na imensidão do Mistério um amigo livre

 
Quando nos morre um amigo... Ainda mais um homem livre e com pensamento próprio. Penso que me permitirá publicar aqui as últimas palavras que dissemos um ao outro! Até um dia, que descanse em paz meu caro amigo, após o longo calvário que teve que subir nos últimos anos com a cruz da doença às costas... O seu funeral será amanhã (19 Dez.) na Capela do Cemitério de São Martinho, Eucaristia às 13 horas seguido de exéquias fúnebres.
Em sua memória:

Olá amigo Gaudêncio. Um desafio, será que eu podia contar com um texto seu no Banquete da Palavra para a rubrica "Deus e eu"? Seria um enorme gosto.

Gaudêncio Figueira
Gaudêncio
Meu Caro Amigo Pe. José Luís, o seu convite honrou-me bastante. A decisão foi imediata, mas resolvi esperar para pensar os termos em que lha comunicaria. Não li todos os textos que foram publicados na página. Li alguns. Nas conversas que tivemos confessei-lhe o meu posicionamento perante Deus e a Igreja. Prezo muitos dos amigos da sua página. Conheço pessoalmente alguns e sei que aquilo que escreveram era sentido. Outros, porém, por os conhecer de outras andanças, parecem-me ter gizado textos no mínimo hipócritas. Respeitando-o a si e à Fé Cristã prefiro não participar. Não lhe escapou certamente o prudente distanciamento que mantive relativamente às questões dos milagres. Não sou estudioso das questões e receio dependurado entre a hipocrisia - detesto-a- e falta de fundamentação. Sempre a considerá-lo muito...
Rodrigues
Bom dia caro amigo, como rejubilaria com um sim seu. Mas aceito com profundo respeito um não seu e até de outros. Quando as partilhas são imposições, obviamente, que são opressões e senão forem livres, são como diz, crua e dura hipocrisia. Um forte abraço e continuemos animados pela paz e pela esperança.
Gaudêncio Figueira
Gaudêncio
Gaudêncio Figueira
Gaudêncio
Obrigado pela sua compreensão.

sábado, 16 de dezembro de 2017

A sorte dos profetas

Ao sétimo dia
1. Estava Elias serenamente na praça do fogo
Sem descanso falava de Deus pela língua do lume
O luminoso e único da criação,
Lutador incansável da idolatria por toda a parte
Mais ainda contra a corrupção de Acab e Jezabel
E sem demora e implacável
Fez soar os grilhões da perseguição da morte.
Profeta como um fogo que derrete
O ferro e o tempo pela palavra,
No sonho universal da libertação.
Não morreu a Palavra ardente do criador
- Elias foi elevado ao céu na crista do lume do amor.
2. Noutro reflexo espelhado da história não menos cruel
Veio João Batista despojado e simples no deserto,
Mendigo que se alimenta de gafanhotos e mel,
É voz antes imperceptível, não é Messias
É profeta, é primo, é irmão… O desejado,
Porém morto sem cabeça no prato frio do ódio
Manchado pela intriga venenosa sem perdão
Foi o preço da verdade única reclamada
Sobre a mesa da rejeição foi vil negócio
- É João humilde servo das sandálias do Mestre.
3. No momento derradeiro o rejeitado chegou  
Não se revestiu das vestes do triunfalismo
Para uns não era o Messias esperado,
Nem menos ainda o libertador poderoso.
Pobre, despojado e abandonado
Morreu na cruz, tudo está consumado.
Mas naquele «Glória das alturas, paz na terra»
Soou a Boa Nova do profeta dos profetas
Ele veio, Ele foi, Ele está, Ele vem, Ele virá… Sempre,
No coração das gentes em todos os tempos
Pois é resposta, é dom como pão alimento
Bem vincado sobre a vida quando é reino espiritual
Em cada gesto simples derramado em vida
- Fermento fecundo do amor humano e divinal.
JLR

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Missas do Parto marcam a «Festa» na Madeira

Com a devida vénea...
A tradição coloca a origem das “Missas do Parto” no início do povoamento da ilha, com as populações vindas do Minho português, em homenagem à “Senhora do Ó” e que a liturgia católica distingue neste tempo do Advento.
«Esta evocação refere-se a Nossa Senhora de expectação, da esperança», que apresenta a «última fase de gestação» de Maria nas proximidades do Natal de Jesus, da chegada do Messias.
Nestes últimos dias, é da tradição «louvar o parto da Virgem» em todas as comunidades paroquiais da Madeira e Porto Santo, como em mais nenhum lugar do nosso país acontece.
As «Missas do Parto» são celebrações exclusivas entre nós, com características muito particulares. Na generalidade, começam bem cedo, ainda de madrugada. Congregam grupos de pessoas e romagens de vários sítios. Apresentam versos, melodias, cânticos, com instrumentos que remontam a séculos passados, como «búzios, castanholas e o rajão».
Salientam-se também nestas «novenas» (entre 16 e 24 de Dezembro) as várias «ladainhas» como saudações à Virgem, pela alegria do nascimento de Jesus.
Um dos cânticos mais conhecidos, no final da Missa, inclui um pedido de votos de bom Natal: «Virgem do Parto, ó Maria, Senhora da Conceição, dai-nos as festas felizes, a paz e a salvação.»
Mas, a celebração só fica completa com a «animação e convívio no adro da igreja.» Muito vêm de longe e juntam-se aos paroquianos nesta «festa» que se traduz também pela partilha de iguarias e sabores específicos desta época, como os «bolos e broas de mel, o cacau, os licores, a poncha, os petiscos, as sandes de carne de vinho e alhos.»
Há muita participação neste evento e a «festa», de ano para ano, fica «cada vez mais famosa», é conhecida além fronteiras, e motiva o interesse de visitantes e turistas de toda a parte.
A opinião é unânime: «não se pode perder esta tradição». As novas gerações também recebem este «testemunho» sem hesitações, com grande alegria.
No essencial, o calendário natalício na nossa região está marcado pelas «Missas do Parto», tudo se faz em função da «Festa», numa convivência natural entre o religioso e o profano. «Não há Festa como a nossa», desde os tempos antigos. As «novenas em honra de Nossa Senhora» são também para o «Menino Jesus».
Vera Luza

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

A voz da luz que brilha nas trevas

Pão quente da Palavra
As leituras do 3º Domingo do Advento revelam-nos que Deus não se esqueceu do seu povo e que tem um plano de salvação e de vida em abundância para fazer passar a humanidade à luz da felicidade.
Logo no primeiro texto tirado do profeta Isaías, é apresentada a Boa Nova de Deus, que consiste em anunciar a esperança de um tempo novo, onde Deus fará acontecer a felicidade da salvação para todos, particularmente, para os pobres, porque estes em todos os tempos são as vítimas indefesas dos poderosos que nunca se fartam. E, obviamente, que a predilecção de Deus é precisamente para estes. A visão do profeta assinala que Deus, tudo fará para que a tristeza que se tornou o pão quotidiano dos pobres seja dissipada e venha um tempo cheio de luz que fará sorrir quem teve a má sorte de ser vítima da ganância dos dominadores das sociedades.  
São Paulo apresenta como se faz esta descoberta de Deus à comunidade de Tessalónica para que esse tempo novo possa surgir. Este apelo encaixa-se perfeitamente em qualquer comunidade esteja onde estiver em todos os tempos históricos.
Paternalmente transmite práticas, exortações, lembrando que o Evangelho não lhes foi pregado somente com palavras, mas com eficazes manifestações do Espírito Santo, que os estimulava a se tornarem imitadores do Senhor e dos Apóstolos, apesar das tribulações de cada dia. Dessa forma, eles se concretizariam como modelo para os fiéis não só da Macedônia e da Acaia, mas para todos os que creem no Deus Vivo e Verdadeiro.
O Apóstolo realça a necessidade de se progredir na busca de um maior polimento espiritual, cultivando a santidade e lembrando-lhes os seus ensinamentos de como devem viver para agradar mais a Deus, exercitando o amor fraterno, apartando-se da luxúria, tratando a esposa com carinho e respeito, sem se deixar levar pelas paixões desenfreadas do mundo.
Para São Paulo todos ressuscitarão mesmo aqueles que estão adormecidos (mortos). Ninguém sabe o momento e a hora, por isso, todos devem viver como verdadeiros «filhos da Luz» e não como «filhos das Trevas». Vivendo dignamente e permanecendo preparados para a chegada do Senhor. Paulo pregava uma cristologia que insistia na vinda iminente do Senhor Ressuscitado. Por isso, apela insistentemente: «Não apagueis o Espírito…» e aconteça o que acontecer «vivei sempre na alegria».
O Evangelho apresenta-nos João Baptista, a «voz» que prepara os homens para acolher Jesus, o salvador do mundo. A principal preocupação de João não é centrar em si próprio a atenção dos que o escutam, mas apontar para Jesus, Aquele que Deus envia ao mundo para fazer da vida uma festa que se recheia com o dom da paz e da felicidade, que se vive na liberdade, na fraternidade e no respeito para com todos os que no rodeiam.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Deus e eu

Vamos a isto com Emanuel Gonçalves, um nadador de águas longas e profundas. «Deus e Eu», em Crawl, bruços (ou peito), costas e mariposa (ou borboleta). Porque, é um rapaz de natação desportiva, com imensas participações nas mais variadas provas, inclusive, olímpicas. Uma vaidade para mim publicar o texto do Emanuel. Resta-me humildemente agradecer-te caro amigo este magnífico repasto...

Antes de começar, foi com uma grande alegria que abracei o desafio lançado pelo meu amigo, Padre José Luís Rodrigues. Um bem-haja para si, pelo seu testemunho de Fé que nos contagia a todos.

Deus está presente em todas as pequenas coisas que fazemos, todos os dias. E desde muito cedo, apercebi-me da importância que ele tem na minha vida. Aos 5 anos de idade, foi-me diagnosticada a rara síndrome do Guillain-Barré, que afetou o meu sistema nervoso, deixando-me totalmente dependente da ajuda incansável dos meus pais e dos meus médicos. Foram longos os meses que estive internado do Centro Hospitalar do Funchal. Mas não nunca estive sozinho. Mesmo quando as estatísticas médicas não davam muitas esperanças, Deus ensinou-me a sorrir, a acreditar e a ter Fé. Até que um dia dei os meus primeiros passos. Foi como se tivesse sido “empurrado” por uma força misteriosa. Por Deus!

É verdade que a vida por vezes nos prega partidas. Mas também é possível encarar as dificuldades como importantes lições que precisamos viver, em ordem de crescermos espiritualmente e desenvolvermos competências humanas, como a humildade e o respeito. Graças a Deus, tenho caminhado alegremente pelo caminho da vida, vivendo intensamente um dia de cada vez, sonhando e cumprindo metas que com muito esforço e dedicação já me levaram a dar a volta ao mundo, num desporto que gosto muito, como é o caso da Natação. Mas também, cumpro este ano letivo um sonho, de fazer o corte das fitas e licenciar-me no Ensino Superior. Deus é a minha maior inspiração. Agradeço-o todos os dias.

Deus não gosta de tristeza. Deus é alegria! E sabe ainda melhor quando esta é repartida. Tenho uma linda família que me dá uma educação exemplar, amigos espalhados pelos quatro cantos do mundo e uma fantástica namorada que certamente, terei a coragem e a ajuda divina de Deus para um dia a pedir em casamento. Para mim, Deus significa isto: bom humor e toda a energia contagiante que me move, que me acompanha, que escuta as minhas palavras e os meus anseios e que me indica qual o melhor caminho a seguir depois.

Obrigado Deus por me ensinar a confiar no meu coração e não nos meus limites. Sinto-me um afortunado por ser quem sou hoje e devo esse milagre ao poder que Deus tem em fazer com que todos os dias eu acredite que tudo vai dar certo, mesmo quando tudo pareça estar bem longe disso.

Irregularidades pouco raríssimas

Escrever nas estrelas
1. Só fica surpreendido com a eufemística designação de irregularidades da «Raríssimas», quem tem andado distraído. Já esqueceram os depósitos escandalosos das Cáritas, os bifes do Banco Alimentar e de todas as falcatruas que a luz do dia tem revelado nos últimos anos relacionados com a pouca caridade ou falta dela nestas instituições subsidiadas pelo orçamento geral do Estado e pelos donativos dos cidadãos. Também sei de casos de mordomias que líderes de instituições de solidariedade social gozam por aí.

2. Não se pode generalizar, é certo. Há pessoas irrepreensíveis em todas as instituições, que pelas quais coloco as mãos no fogo. Mas, não tapo o sol com a peneira, no sentido que sob a capa da caridade, todos os que lá andam são uns anjinhos, que nunca lambem os dedos depois de mexerem no frasco do mel. As denúncias dos últimos anos vão revelando que anda por ali muita sujidade e muito aproveitamento.

3. Não se compreende que instituições voltadas para a solidariedade implantem comodamente direcções e alguns associados, no enorme rol de privilegiados a viverem à grande e à francesa à conta das benesses, que provêm dos orçamentos públicos ou dos donativos provenientes da rica generosidade dos cidadãos. O Estado tem que ter mecanismos de controlo do dinheiro que disponibiliza para fazer funcionar estas instituições.

4. Mas, há um dado que me inquieta muito nesta caridade institucionalizada que é o seguinte, não compreendo que a maior parte destas instituições vivam exclusivamente da fatia de dinheiro proveniente dos orçamentos públicos e que para sustentarem o seu funcionamento tenham que ter mais pessoal assalariado do que utentes. Muitas delas apresentam igual número de utentes e profissionais, algumas até têm mais profissionais do que utentes, porque se alimentam com a generosa fatia de dinheiro proveniente dos orçamentos públicos.

5. Obviamente, que surgem os aproveitamentos quer em termos de visibilidade pública, a vaidade que alguns líderes destas instituições ostentam nos meios de comunicação social é bem reveladora de como trabalham para a imagem e para a sua promoção pessoal. Mas também outros como a srª Presidente da Raríssimas, que não se contentava com pouco, precisava de bom salário, roupas ricamente luxuosas e de viagens caras. Um nojo, quando tudo isto tem como fim a solidariedade com doentes profundos, os pobres dos mais pobres indefesos… Oxalá, que esta situação venha a clarificar-se e que o Estado se organize melhor. Deve colocar na ordem estas instituições da caridade e a meu ver deve criar ou alimentar as instituições totalmente públicas, sem que sejam necessários pequenos reizinhos a gerir a seu bel prazer os dinheiro que está destinado a todos. O bem comum de todos nós a sim o exige e os nossos impostos não são para mordomias, mas para inclusão toda a população.