Convite a quem nos visita

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Perante tantas tragédias é possível a Esperança Cristã?

Não diria melhor. Paulo Victória, in imissio. net
Nos últimos meses as notícias tristes têm-nos invadido diariamente. A lista é enorme: refugiados que morrem à procura de uma vida sem guerra e fome; cristãos perseguidos e mortos pelo estado islâmico; atentados terroristas nas nossas cidades tão bem "organizadas e serenas"; acidentes; incêndios e agora, o roubo de armamento militar... Perante tudo isto é possível uma esperança cristã?

Ainda é possível esperar? Enquanto aumentam o número de vítimas de redes terroristas e conflitos absurdos é possível ser sinal de esperança? É possível continuar a acreditar num futuro melhor, quando o próprio Estado não consegue socorrer os seus cidadãos, no caso dos incêndios ou protegê-los, salvaguardando o seu próprio armamento? De que forma?

Reacender a esperança naqueles que mais sofrem é nosso dever enquanto cristãos. Não existem receitas feitas. Ao ver a morte de tantos familiares ou de tantos habitantes da mesma aldeia, o que nos "assalta" é o sentimento de impotência e consequente falta de coragem para dar uma palavra de ânimo.

Aliás, o que mais detesto é ver um padre ou um cristão, com um discurso cheio de presunção de quem sabe tudo e tudo justifica. Parecem os amigos de Job:

«Vós não sois senão embusteiros, todos vós meros charlatães. Se, ao menos, calásseis, tomar-vos-iam por sábios! Pensais defender Deus com linguagem iníqua e com mentiras?» (Job 13, 4.5.7)

Na casa da dor todos devemos entrar na ponta dos pés e em silêncio! Nada de frases feitas! Nada de receitas que resultaram com outros! A esperança cristã não é um ansiolítico! A esperança cristã não é uma anestesia local ou geral! A esperança cristã não é uma receita de culinária! O silêncio e a companhia, a presença e a compaixão deve ser aquilo que nos move para o irmão em sofrimento.

Perante a dor, o sofrimento e a morte, a fé deve-nos direcionar para a Páscoa de Jesus. Deus é salvador até na nossa morte, tal como na morte do Seu Filho. A esperança iluminada por esta Ressurreição força-nos a não desistir de acreditar na vida, e assim, dar sinais otimistas ao mundo e a todo o ser humano.

A esperança cristã é dom de Deus e fruto da comunhão com Ele e com todo o ser humano. E todos somos chamados a receber este dom. Só assim é que podemos continuar o nosso caminho sobre esta terra, levando com fé e compaixão, o sofrimento e a dor de tantas tragédias, espalhando sementes de amor e alegria.

Paulo Victória

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

As tais imagens que valem mil palavras

Não sei quem tem razão na problemática da Venezuela. Se Maduro, se o Donald Trump, se os partidos da oposição e se a população que se opõe a Maduro. Não estou na Venezuela. Por isso, não tenho todos os elementos para fazer uma avaliação o mais consistente possível com a verdade. Também acredito que muito do que é dito pela comunicação social, não corresponde à verdade toda, o que até pode ser ainda mais grave ou nem tanto assim. Porém, estou seguro que a violência, venha de onde vier, deve ser sempre combatida, não com mais violência, mas com as «armas» da paz. O gesto que estes dois padres mostram na foto, é bem revelador daquilo que acabei de dizer. Por isso, aqui fica o registo.
Passou-se em Tovar, Venezuela, domingo, 30 de julho de 2017. Os Padres José Torres e Omar Vergara intervêm e pedem aos membros da Polícia Nacional Bolivariana que parem a repressão contra os manifestantes opositores do governo de Nicolás Maduro, permitindo que os feridos recebessem auxílio médico. Naquele domingo, Maduro promovia uma votação a para eleger uma nova Assembleia Constituinte, no meio de forte oposição de uma grande porção da população venezuelana e da opinião pública internacional.

sábado, 12 de agosto de 2017

As sombras

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sempre, nunca prejudicando ninguém.
Não te detenhas além da medida 
no momento das lágrimas.

Limpa os olhos cabalmente
e com delicadeza vê as flores 
que sorriem generosamente.

Tudo é já um passado 
que te é alheio
mesmo que tenham marcado
as sombras das árvores
que não pertencem ao teu jardim. 
JLR

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Os meninos de hoje


É tempo de férias de escola, certo! Mas convém não deixar esmorecer a chama da reflexão relativamente a tudo o que se relaciona com a escola e com os seus alunos. 
(Texto de Tiago Simães)
Os meninos não podem sair da nossa beira porque os meninos não podem estar sozinhos. Os meninos não podem ficar no recreio a brincar quando os professores faltam - são levados para a biblioteca ou para alguma aula de pseudo-apoio. Se os meninos ficassem no recreio a jogar à bola e se por acaso se magoassem, o que seria dessa escola! Os pais poderiam até processar a instituição de ensino! Os meninos não podem ir a pé ou de autocarro para a escola porque isso pode ser perigoso. Os meninos não se podem sujar ou magoar - os pais nunca se perdoariam (e fá-los-ia perder tempo que não têm). Os meninos andam a saltar de pais para os avós e para a escola e para o atl e para a piscina e para o inglês e para a música e para o karaté e para o futebol e para a patinagem e... Porque os meninos têm de estar sempre ocupados e nunca sozinhos; não saberiam o que fazer com o tempo livre. E os pais têm de ganhar dinheiro para os meninos andarem sempre bonitos e com roupa de marca - caso contrário, os colegas poderiam até gozá-los. E se o colega tem uma coisa, o menino também tem de ter (senão faz birra e com toda a razão). E os meninos têm de ter festas de aniversário espectaculares - e não pode ser em casa só com a família, que isso não se usa. Tem de ser com a turma toda e os amigos e os primos e tem de se alugar (e pagar) um sítio onde tenha muitos brinquedos e escorregas e palhaços e malabaristas e baby-sitters. Algum sítio onde alguém se responsabilize pelos filhos dos outros, de preferência. Os meninos, coitadinhos, são muito novos para pensar - mais vale nós planearmos a vida deles e dizer-lhes o que fazer. Mas só se eles concordarem, claro. Porque os meninos não têm culpa de nada; se se portam mal, a culpa é da educação que recebem na escola (que é o sítio onde eles devem ser educados). Os meninos não comem sopa e verduras porque não gostam Os meninos saem da mesa quando lhes apetece e passam o (pouco) tempo livre entre smartphones, tablets e computadores. Mesmo enquanto comem, coitadinhos, tem de haver alguma coisa para os entreter - e não se fala com a boca cheia. Alguns até comem com auscultadores colocados nos ouvidos - e ainda bem, para não incomodar a conversa dos adultos. Os meninos só vêem desenhos animados (e a televisão é deles quando eles estão em casa). Porque os meninos querem, os meninos têm. O que não vale é chorar - não gostamos de os ver tristes. Chora chora que a mamã dá mais brinquedos para brincares duas vezes e arrumar a um canto - a casa fica cheia deles; depois compram-se outros diferentes porque os meninos têm de ter sempre mais e mais coisas e mais experiências novas. Os meninos não ajudam em casa porque são meninos. Os meninos começam a sair cedo e os papás vão buscá-los onde e à hora que for necessário. Não há meninos burros, arruaceiros, nem medricas, nem preguiçosos, nem tímidos, nem distraídos, nem mal educados, nem maus, nem... Nada disso. Os meninos são todos bons (os melhores) e muito inteligentes. Todos. E todos os anos há meninos finalistas e festas de finalistas e viagens de finalistas e até praxes, do primeiro ao último ano da escola, porque eles são muito inteligentes e importantes, agora que acabaram mais um ano. Que bem, já tens a quarta classe - que orgulho, meu filho Ah, parece que foi ontem a tua festa de finalistas do terceiro ano... Os meninos não se podem (nem sabem) defender sozinhos; para isso é que existem os pais e os psicólogos e os professores e até os tribunais. Os meninos têm explicações desde a escola primária porque precisam de toda a ajuda possível para ser os melhores. Se não estão atentos nas aulas, a culpa é do professor. Os meninos não levam palmadas - ai se isso acontecer. Podiam ficar traumatizados, coitadinhos. Se os meninos estragam, os papás pagam. Os meninos têm direitos - mais concretamente, têm o direito a fazer o que lhes apetece porque são meninos e não têm de entender as preocupações dos crescidos. Por isso desarrumam a casa e todos os sítios por onde passam; partiu? virou? desapareceu? morreu? Não sei, eu sou apenas um menino.
Até que um belo dia, os meninos se veem subitamente fora de casa e da escola e longe de todas as pessoas e coisas que costumam controlar todos os seus movimentos (e até pensamentos). Longe 
daqueles que lhes disseram sempre que os meninos não são responsáveis nem culpados daquilo que fazem.
E só aí, longe pela primeira vez, começam a aprender a ser pessoas, a respeitar a liberdade e o espaço dos outros (os outros que afinal também existem! - descobrem os meninos nesta altura). Só aí entendem que cada acto tem uma consequência. E torna-se difícil - que a pegada dos meninos agora é grande e os erros notam-se como patas de elefante em cima de nenúfares. Destroem tudo porque têm de aprender e agora é muito mais complicado. Pensavam que podiam fazer tudo o que lhes apetecesse, mas afinal parece que não. Ninguém lhes tinha dito. E de repente aparecem ratos que assustam os elefantes. Todo aquele tamanho mas no fundo continuam apenas meninos que agora vivem em corpos de adultos. Ficam muito assustados (pudera) e não entendem.
Voltam para casa e perguntam aos pais: o mundo é mesmo assim, papás? Não posso atirar colchões pela janela dos hotéis? Não posso ligar extintores e estragar as paredes e camas? Porque não avisaram antes?
E nessa altura, levam um estalo - a primeira palmada das suas vidas. Deixaram finalmente de ser (e da pior forma) meninos.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Muito importante vencer o medo

Domingo XIX tempo comum
Na montanha, o profeta Elias experimenta a presença de Deus. Deus manifesta-se de modo silencioso e pacífico, não no «vento forte» nem no «tremor de terra», nem no «fogo», mas na «brisa suave». Quando a sente, Elias saiu e ficou à entrada da gruta, cobrindo o rosto com o manto, porque nenhum homem pode ver a Deus face a face. Este gesto define a atitude do profeta, entrega-se confiante à acção de Deus e está disponível para o Seu serviço.
O Evangelho de São João diz-nos que, após a multiplicação dos pães, as multidões queriam aclamar Jesus como rei. Jesus foge das expectativas de um Messias triunfalista cheio de poder. Assim, Jesus despede a multidão, manda os discípulos para o barco e retira-se para o monte para fazer oração. 
Neste trecho de Mateus, a tempestade no Mar, Jesus que caminha sobre as águas, a cena de Pedro com Jesus revela elementos típicos das aparições de Jesus após a ressurreição. A tempestade tem a ver com as perseguições e todas as dificuldades que aqueles que seguem Jesus sempre encontrarão na sua acção. Saliente-se que nessa contingência, o pior que pode acontecer será o medo e a falta de fé em Jesus que está com aqueles que trabalham em seu nome. 
Pedro destaca-se neste episódio para revelar que, ele assumindo o primado não pode deixar de confiar em Jesus que sempre está por perto para ajudar a vencer os receios e puxar para cima todos os que se afundam no medo e na ausência de esperança. É curioso que logo que Jesus subiu para o barco, o vento amainou. Nesse vacilar, ninguém se esqueça de estender a mão...
São Paulo manifesta o seu desgosto, ao ponto de desejar ser separado de Cristo, pelo facto de os israelitas não terem aceite Jesus como Messias. O povo que tinha todas as condições religiosas para aceitar Cristo, o enviado do Pai, recusou-O. Neste sentido, Paulo apela ao perdão de Deus e antes desejava ser prejudicado em favor da salvação de muitos... Às vezes vemos na realidade que nos rodeia, tantos que se enchem e que tudo fazem para proveito próprio sem que se importem nada com as suas atitudes que semeiam a desgraça da fome, da doença e da morte de muitos. A atitude do cristão, deve ser precisamente ao contrário, diligenciar com todos os esforços para que brilhe o bem comum e a justiça em favor de todos. 

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Líderes dos tempos de ódio

1. Parece que nos fere a alma e o coração termos que reconhecer que estamos a viver um tempo marcado profundamente pelo ódio. As relações entre as pessoas, cada vez mais próximas e baseadas na tecnologia avançada, deviam proporcionar relações humanas mais fraternas, mais solidárias e mais compassivas. Nada disso, cada vez mais impera a linguagem do ódio, do rancor, da provocação e desejo de vingança. Vamos referir três exemplos no domínio da política mundial. Eles são Donald Trump nos Estados Unidos da América; Nicolás Maduro na Venezuela e Kim Jong-un, líder da Coreia do Norte.

2. Três sinais dos tempos do ódio em que nós vivemos. Todos eles movem-se por crenças imbecis, a coberto disso pregam e praticam a violência sobre tudo o que se manifesta fora da seita ou redoma ideológica que inventaram. A violência para eles é como que um «bem» necessário para travar os «inimigos» das suas crenças patéticas que sustentam o seu poder. São uns fracos de cabeça, mas perigosos como foram perigosos todos os fascistas que emergiram em toda a história da humanidade.

3. Donald Trump, um irresponsável que só Deus é que sabe como conseguiu o poder, responde às provocações belicistas do louco da Coreia do Norte, com palavras de ódio e profundamente incendiárias. Preocupante a sua afirmação: «É melhor que a Coreia do Norte não faça mais ameaças aos EUA. Vai enfrentar fogo e fúria como o mundo nunca viu», afirmou o Presidente americano, citado pela Reuters, no seu clube de golfe, em Bedminster, Nova Jérsia. Um esfomeado de guerra, que não tarda nada vai fazê-la.
 
4. Nicolás Maduro na Venezuela, continua a mostrar que a luta pela manutenção do seu poder, a preço altíssimo deve continuar, mesmo que o derramamento de sangue, a desordem, a insegurança, a fome e a miséria do povo em geral, não sejam coisa pouca. Por esta frase de Maduro se percebe a crença na «virtude» da violência aplicada: «La única manera de luchar contra el fascismo en una sociedad es como cuando se tiene una infección muy grave... tienes que tomar penicilina, o más bien el antibiótico más fuerte, y someterte al tratamiento», disse. Falam que o enteado do Presidente passeia-se com um Porsche pintado a dourado e suspeitam que seja mesmo ouro verdadeiro.

5. Quanto ao líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, basta-me dizer isto, é um eterno adolescente completamente irresponsável, que brinca com supostas armas atómicas como se brincasse com bombinhas dos dias festivos do Natal. Por isso, juntamente com sua esposa participou na recepção solene em homenagem ao teste bem-sucedido do míssil balístico intercontinental e na ocasião disse: «Este míssil é para ti, meu amor». O que dizer a isto?

6. São os nossos tempos, que se esperaria que fossem mais belos quanto à amizade e fraternidade, ao cuidado com a criação inteira e quanto ao respeito das diferenças entre os povos e nações. Mas, não! Tempos de ódio, que alguns alimentam e propagam, mesmo que isso nos tragam sérios dissabores quanto à segurança e que hipotecam o futuro da humanidade inteira. Esta loucura geral deve despertar em nós uma atenção redobrada e devemos saber que os bandidos andam à soltam e por sinal muitos deles estão armados até ao dentes e comandam hoje nações poderosas. A política do ódio, pensando que estamos a fazer o bem à sociedade, é o maior dos perigos que temos hoje para enfrentar. 

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Não custa nada não ser cristão

1. Os mais preocupados com as igrejas vazias são os que nunca lá colocam os pés ou muito raramente o fazem. Porque este argumento está como bordão para ser utilizado sempre que tal se justifique, normalmente, quando se quer justificar uma desilusão, uma desconfiança, um preconceito, uma acusação, um desprezo ou outra coisa qualquer que não encaixou naquela verdade que tomamos como nossa, só nossa. O fundamentalismo não está só dentro das igrejas, dentro das religiões.

2. O cristão é aquele que vem, porque se reconhece perdido, precisa de alimento, de esclarecimento e de perdão para as suas limitações, as suas infidelidades e pecados. Por isso, reconhece Cristo, como aquele que perdoa porque é o Filho de Deus, é o Senhor da vida que faz retomar a esperança e a coragem militante na luta pela justiça na vida concreta.

3. Pode não custar nada não ser cristão, mas custa muito sê-lo com verdade e sinceridade. Quando se é cristão com autenticidade nada faz perder essa condição. Mesmo sabendo que eles existem. Nenhum escândalo, nenhuma desilusão, nenhum desapontamento, nenhuma expetativa correspondida, permitem que se perca a condição do ser cristão. Não há nada mais terrível quando se justifica os nossos desapontamentos com o comportamento dos outros.

4. A desilusão do ser cristão não se dá tanto por razões interiores de dúvidas, mas por razões totalmente exteriores e frequentemente por causa da conduta dos outros, aqueles em quem foram dadas altíssimas responsabilidades e neles depositamos as maiores expetativas. Quando se percebe que afinal, desses tais, também pode vir o mal, para que serve ser cristão, quando até custa menos não sê-lo.

5. Se não custa nada ser cristão, coisa que não me parece ser assim tão linear. Ao contrário, custa ser cristão. Custa o sacrifício da paz, porque a paz é a principal preocupação do ser cristão; custa o sacrifício da segurança, porque a vida não se faz sem o abraço com os outros, com a natureza; custa o sacrifício da alegria, porque a alegria é o fermento da existência, a alegria indizível, inefável, mas também a alegria concreta; custa o sacrifício da esperança, porque se crê na «vida eterna», com os pés bem assentes no presente; custa reconhecer e testemunhar que Deus existe, ponto essencial para se reconhecer cristão; custa reconhecer que Cristo, sendo o maior derrotado da história, provocou a maior de todas as «revoluções», a revolução do amor até pelos inimigos; custa anunciar a vida eterna e plena, face a tanta miséria que a humanidade apresenta e que frequentemente nos faz reconhecer que não devia haver compreensão, mas implacável justiça que levasse à condenação todos os maus que este mundo apresenta; custa também saber que pode existir a condenação eterna, porque não se reconheceu o mal e toda a desgraça que se provocou…

6. Há uma infinidade de coisas que custam muito ao cristão ter que dizer e procurar fazer, que se não pensasse nelas, podia ser argumento que justificasse que afinal até ver, custa menos ou nada não ser cristão.

Carta de Lincoln ao professor do seu filho

Mesmo que seja tempo de paragem escolar, pode servir esta carta para que os pais reflitam e se deixem ajudar a recriarem propósitos adequados para o novo ano escolar... Beneficiará a humanidade inteira. 
Algumas pessoas vêm ao mundo com a missão de impulsioná-lo e acelerar a sua evolução. Esses seres iluminados, homens ou mulheres, que inspiram toda a humanidade, estão por aí ensinando e repartindo o amor, o respeito, a esperança e a dignidade para com o próximo. Quem dera existissem mais e mais pessoas com a graça e a genialidade desses seres. Abraham Lincoln foi uma dessas pessoas, inteligente, humano e sensível, promoveu ações que mudaram significativamente o rumo da história de seu país. E de seus ensinamentos apresentamos aqui uma carta:
A FAMOSA CARTA DE ABRAHAM LINCOLN PARA O PROFESSOR DE SEU FILHO
“Caro professor, ele terá de aprender que nem todos os homens são justos, nem todos são verdadeiros, mas por favor diga-lhe que, para cada vilão há um herói, que para cada egoísta, há também um líder dedicado, ensine-lhe por favor que para cada inimigo haverá também um amigo, ensine-lhe que mais vale uma moeda ganha que uma moeda encontrada, ensine-o a perder, mas também a saber gozar da vitória, afaste-o da inveja e dê-lhe a conhecer a alegria profunda do sorriso silencioso, faça-o maravilhar-se com os livros, mas deixe-o também perder-se com os pássaros no céu, as flores no campo, os montes e os vales.
Nas brincadeiras com os amigos, explique-lhe que a derrota honrosa vale mais que a vitória vergonhosa, ensine-o a acreditar em si, mesmo se sozinho contra todos.
Ensine-o a ser gentil com os gentis e duro com os duros, ensine-o a nunca entrar no comboio simplesmente porque os outros também entraram. Ensine-o a valorizar a família que sempre o apoiará em qualquer situação.
Ensine-o a ouvir todos, mas, na hora da verdade, a decidir sozinho, ensine-o a rir quando estiver triste e explique-lhe que por vezes os homens também choram.
Ensine-o a ignorar as multidões que reclamam sangue e a lutar só contra todos, se ele achar que tem razão.
Trate-o bem, mas não o mime, pois só o teste do fogo faz o verdadeiro aço, deixe-o ter a coragem de ser impaciente e a paciência de ser corajoso.
Transmita-lhe uma fé sublime no Criador e fé também em si, pois só assim poderá ter fé nos homens.
Eu sei que estou pedindo muito, mas veja o que pode fazer, caro professor.”
Abraham Lincoln
Nota da Pazes: Caros amigos, há divergências quanto à autenticidade desta carta, sendo que alguns historiadores questionam a sua autoria. O que temos absoluta convicção é que, pela natureza pessoal de Lincoln, se ele porventura não a escreveu, é certo que gostaria de tê-la escrito.
(Revista Pazes, via Aleteia)

sábado, 5 de agosto de 2017

Partir naquela hora

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sempre, nunca prejudicando ninguém.
Partir naquela hora…
Que pode ser uma hora qualquer
quando uma flor murcha e faz frio,
dentro da alma e no chão sujo,
contra as portas fechadas na solidão.

Partir naquela hora quando soa
o Jardim dentro do peito inspirado,
sendo humilde criatura e criador.

Neste reflexo conjugado das palavras
soa também das minhas entranhas,
uma face que se desprende e sorri. 
JLR

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

A festa da Transfiguração

Comentário à missa deste domingo...
1. A festa da Transfiguração do Senhor, já era celebrada no oriente no Séc. V, chegou ao Ocidente por volta de 1457. Está antes do anúncio da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus, porque serve para preparar os seguidores de Jesus para a compreensão desse mistério. Com a mesma ideia a Igreja celebra esta festa 40 dias antes da festa da Exaltação da Santa Cruz, que se celebra a 14 de setembro de cada ano. A Transfiguração, é uma teofania que manifesta a dimensão divina que está em Jesus, é uma glória que se confirmará e iluminará de fé e esperança a noite da Páscoa, com a Ressurreição de Jesus. Todos os que olharem com os olhos da alma e verem Jesus como «servo de Deus» e «Filho de Deus», não poderão esquecer que Ele é de condição divina. Veio ao encontro da humanidade, para fazer mergulhar a condição humana nessa Sua condição de divina. É isso que somos hoje, condição humana, mas também com Jesus e por Jesus, condição divina.
 
2. A visão de Daniel, revela a história segundo o olhar de Deus. Estão aí os impérios e os opressores, mas o plano de Deus é o mais seguro, não falha, porque assenta na justiça e na paz. Ele será o juiz, que vai avaliar as ações humanas e vai resgatar toda a realidade humana que não esteja dentro do seu projeto de felicidade. Perante os reinos terrenos, o ancião, do livro de Daniel confia o Reino de Deus a um misterioso «filho de homem» que vem sobre as nuvens. É um homem semelhante a todos os demais homens, mas é de origem divina. Jesus no Evangelho sempre se identificará com esse «filho de homem», permitindo assim confirmar-se Nele a visão de Daniel.

3. A carta de São Pedro, assume que os apóstolos de Jesus são os principais portadores do acontecimento da Transfiguração, porque viram e ouviram a glória divina que em sublime teofania proclamou «o Filho muito amado do Pai», Jesus, o Mestre de Nazaré. Porém, a palavra antiga anunciada pelos profetas continua a ser «uma lâmpada que brilha num lugar escuro», até ao dia em que Cristo virá com a sua glória e se tornará luz eterna para toda a humanidade. Por isso, o anúncio de Jesus Transfigurado é o alimento da nossa fé e justifica o sentido da esperança, neste mundo carregado de desafios e contingências nem sempre fáceis de suportar. A luz de Deus deve brilhar no coração de cada pessoa que se move pela fé e pela esperança, para que todas as trevas do dia a dia, sejam dissipadas do coração de tanta gente que mergulha no desespero e na fatalidade da falta de amor e de justiça. Um sorriso, um aperto de mão, um pão partilhado, uma palavra de perdão, um conselho, uma festa convívio fraterno e tantos sinais onde cada um pode ser a diferença.

4. A Transfiguração, é a glória de Deus manifestada em Jesus como sinal de que Ele é o Filho de Deus, Servo Sofredor, pela salvação da humanidade. Jesus além da Sua identidade humana, tem também uma identidade sobrenatural. Moisés e Elias, aparecem neste momento da Transfiguração, porque foram testemunhas de um êxodo distinto do de Jesus, mas semelhante na fidelidade absoluta a Deus. A Transfiguração, a manifestação divina, ilumina o caminho terreno, que envolve Pedro e os seus companheiros, que foram tomados pela nuvem (a nuvem simboliza a presença divina). Pois, serão eles, Pedro, Tiago e João, que recebem a luz resplandecente, que a voz confirma ao proclamar a identidade de Jesus. É Ele, o «Filho do homem», mas é também o «Filho de Deus», que está no meio de nós, para nos confirmar na fé e na esperança, dizendo-nos que não somos deste mundo, mas pertencemos ao Reino da luz eterna de Deus. Assim, devemos proceder transfigurando o mundo e a vida à nossa volta, para que todos possamos sorrir na paz, na luz do amor e no fermento da fraternidade. Estes são os sinais transfiguradores que podemos oferecer à nossa vida para o bem de todos.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

“Eu e Deus”

“Eu e Deus”, esta semana com o famoso professor Tibúrcio, grande professor de matemática, porque «brinca» com os números como ninguém. Nenhum problema matemático o assusta e faz dele um «brinquedo» que faz sorrir e entusiasmar os alunos mais avessos ou saturados com a disciplina de matemática. Obrigado professor pela seu contributo. Como sempre, tudo tão simples nas suas mãos... 

Deus manifesta-se nas minhas atitudes, na minha maneira de ser e de estar, no fundo, Deus encontra-se em todo o meu comportamento diário, na comunidade. Lido com Ele durante a vida sem nunca esquecer os princípios que emanam das suas palavras.
Vivo feliz tratando os outros como desejaria que me tratassem, “amando o próximo como a mim mesmo” e, de modo natural, sou simples, real e acessível a todos os que comigo convivem. Tento deixar a minha marca em tudo o que construo, caminhando com substância e valores universais, invisto o melhor de mim e da melhor forma que sei, recusando sempre ser um “parasita” que não contribui, mas que se sente no direito de exigir.
Uso a vista para ver as maravilhas que a natureza me oferece, todavia, utilizo o seu horizonte para entender aquilo que à minha volta é de mais complexo e assim contribuir, com a crença e a fé de Deus, no esbater dessas possíveis imperfeições.
Os homens é quem decidem o mal e o bem, Deus ofereceu-nos as faculdades de acreditarmos em nós, cabendo-nos usar os nossos próprios meios para melhor usufruirmos das nossas vivências, aprendendo a conviver com a felicidade e com a infelicidade, com o prazer e com a dor, enquanto seres humanos, proporcionando aos outros a ajuda que podemos e devemos dar.
É importante estar atento aos sinais que recebemos do nosso desempenho, porque esses sinais ensinam a direcionar melhor o nosso exercício e também saciar mais o nosso ego, que é um bom catalisador para fazer mais e melhor. Esta minha forma de estar na vida é, não só um corolário do meio que me rodeia, como também fruto dos ensinamentos que recebi, limados pela vida e pela razão. O facto de estar bem comigo próprio e apreciar o retorno que os outros me dão, faz-me acreditar que estou em sintonia com Deus.
Tibúrcio Azevedo

Um tesouro escondido

Santa Teresinha do Menino Jesus (1873-1897), carmelita, doutora da Igreja, Carta 145
A esposa [do Cântico] dos Cânticos diz [...] que se levantou do leito para procurar o seu bem-amado na cidade, mas em vão; depois de ter saído da cidade, encontrou Aquele que o seu coração amava (cf Ct 3,1-4). Jesus não quer que encontremos a sua adorável presença no repouso: Ele esconde-Se. [...] Oh! Que melodia para o meu coração é esse silêncio de Jesus. Ele faz-Se pobre para que possamos usar de caridade para com Ele; estende-nos a mão como um mendigo para que, no dia radioso do julgamento, quando Ele aparecer na sua glória, possamos escutar as suas doces palavras: «Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. Porque tive fome e destes-Me de comer, tive sede e destes-Me de beber, era peregrino e recolhestes-Me, estava nu e destes-Me de vestir, adoeci e visitastes-Me, estive na prisão e fostes ter comigo» (Mt 25,34-36). Foi o próprio Jesus que proferiu estas palavras, é Ele que quer o nosso amor, que o mendiga. Põe-Se, por assim dizer, à nossa mercê, não quer tomar nada sem que Lho demos. [...] 

Jesus é um tesouro escondido, um bem inestimável que poucas almas sabem encontrar, porque Ele está escondido e o mundo ama aquilo que brilha. Ah! Se Jesus Se tivesse querido mostrar a todas as almas com os seus dons inefáveis, de certeza que não haveria nenhuma que O desdenhasse; mas Ele não quer que O amemos pelos seus dons: Ele próprio é que deve ser a nossa recompensa. 

Para encontrarmos uma coisa escondida, temos de nos esconder; a nossa vida deve, portanto, ser um mistério; é preciso assemelharmo-nos a Jesus, a Jesus diante de quem se tapa o rosto (cf Is 53,3). [...] Jesus ama-te com um amor tão grande que, se o visses, entrarias num êxtase de felicidade [...], mas não o vês e sofres com isso. Muito em breve Jesus «Se levantará para o julgamento, para salvar os humildes da terra» (Sl 76,10).

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Uma dedicatória a esta foto

Esta foto foi tirada esta manhã por volta da 8.30 horas (1 de agosto de 2017), é dedicada especialmente, a todos os que gostam de publicar fotos de manhãs radiosas, com barcos de cruzeiro atracados no porto, turistas a passear na marginal, as ruas brilhando com flores e árvores. Mas, a nossa cidade também tem disto.
Porém, esta foto é dirigida especialmente aos grupos religiosos, movimentos religiosos, paróquias, Congregações Religiosas da Madeira, Igreja Católica em geral e Juntas de Freguesia que andam este ano entretidas a fazer tudo pela reeleição.
No entanto, há três entidades que merecem esta foto de forma especial. Governo Regional; Câmara Municipal e partidos políticos.
Primeiro, Governo Regional, especialmente, a srª Secretária que saiu do governo, que é agora candidata à Câmara do Funchal, que teve oportunidade, sugestões e condições para dar um contributo sério para resolução desta questão, não fosse ela da tutela do pomposo nome da inclusão, mas nada fez, senão meter dinheiro nas unhas de organizações caridosas que têm os pobres como «matéria prima», para sugarem cada vez mais na teta dos orçamentos da Segurança Social.
Segundo, a Câmara Municipal do Funchal, a quem já foi apresentada também sugestões e muito boa vontade para ser resolvido este problema, mas enquanto tivermos alguns barquinhos, alguns turistas, algumas flores, algumas árvores e sol na cidade, isto, parece importar pouco. Basta aqui e ali uns remendos para que a coisa se apresente bem nas páginas dos jornais e ilumine as redes sociais, passado mais algum tempo, o silêncio faz o seu caminho. Continua insustentável esta situação na nossa cidade.
Terceiro, aos partidos políticos. Não façam mais uma vez aquilo que têm feito noutros momentos eleitorais, prometendo mundos e fundos, mas uma vez lá, nada se concretiza. Essa já não cola e estão cada vez mais no rol dos mentirosos, porque se servem tudo e de todos para aparecer propagandeando o vazio. Mesmo assim, deitem alguma atenção a este flagelo que assola a nossa cidade e reservem alguma energia para fazerem valer este assunto como prioritário, para que esta imagem tão degradante de nós não seja também postal que os turistas levam pelo mundo fora da miséria de uma região que sabe tratar de plantas, mas não sabe tratar das pessoas.  

Cem anos é uma graça

1. Um número tão redondo, faz um século numa pessoa, numa alma, num corpo, que alegremente confessa quando me despeço, uma graça. A graça de uma flor ou uma planta africana, que as cem rosas à volta do bolo de aniversário testemunharam.

2. Ali está um nome que de tão incomum para mim, obriga-me a entrar na auto estrada dos tempos modernos, a internet, para saber do seu significado, Ucília. Nessa procura rápida fui informado que este nome é também o de uma planta africana, que serve para fazer forragens.

3. A celebração de um aniversário secular atribuído a uma pessoa merece festa condizente e condignamente. Então teve-a num ambiente familiar, rodeada dos seus três filhos, cunhados e netos, ainda outras pessoas da família mais próxima e alguns amigos. Tive a Alegria de celebrar a eucaristia na sua casa e participar no jantar convívio.

4. Um momento soberbo de alegria. Porque estar na presença de uma pessoa com esta longevidade e sentir aquela emoção do peso da idade, traz-me à memória o que guardará seguramente um século na história de uma pessoa, no que diz respeito aos imensos episódios, histórias felizes e outras nem tanto, dramas incontáveis, alegrias a perder de vista e tantos altos e baixos que um século em qualquer circunstância sempre testemunha, mas, mais ainda se se trata da vida de uma pessoa.

5. Nós que nos vemos a contemplar esta «graça», sempre gostamos de saber do segredo para tão longa vida física… Uma outra pessoa já me tinha dito do alto dos seus 107 anos, «fui uma pessoa muito feliz», a Dª Ucília com aquela rica ternura, disse-me «é uma graça». É sim, uma graça a vida ir longe, quando não faltam o carinho, o cuidado desinteressado e a dedicação quotidiana de anjos, muitos anjos que este mundo tem, apesar de tudo, a habitar dentro de tantas das nossas casas.


6. Muitos parabéns Dª Ucília. São também extensivos à sua família que dedicadamente ali está todos os dias em todas as horas, fazendo valer que a vida só é possível quando é cuidada com as mãos do amor, regada com a água do carinho, partilhada com o pão da paz e quando é se sempre feita aturada limpeza com um sorriso nos lábios. Não há segredo nenhum, este é o segredo e devia ser dessa «graça» que me falava também a «planta» Dª Ucília, contando os seus cem anos de vida aqui diante dos meus olhos.