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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Não custa nada não ser cristão

1. Os mais preocupados com as igrejas vazias são os que nunca lá colocam os pés ou muito raramente o fazem. Porque este argumento está como bordão para ser utilizado sempre que tal se justifique, normalmente, quando se quer justificar uma desilusão, uma desconfiança, um preconceito, uma acusação, um desprezo ou outra coisa qualquer que não encaixou naquela verdade que tomamos como nossa, só nossa. O fundamentalismo não está só dentro das igrejas, dentro das religiões.

2. O cristão é aquele que vem, porque se reconhece perdido, precisa de alimento, de esclarecimento e de perdão para as suas limitações, as suas infidelidades e pecados. Por isso, reconhece Cristo, como aquele que perdoa porque é o Filho de Deus, é o Senhor da vida que faz retomar a esperança e a coragem militante na luta pela justiça na vida concreta.

3. Pode não custar nada não ser cristão, mas custa muito sê-lo com verdade e sinceridade. Quando se é cristão com autenticidade nada faz perder essa condição. Mesmo sabendo que eles existem. Nenhum escândalo, nenhuma desilusão, nenhum desapontamento, nenhuma expetativa correspondida, permitem que se perca a condição do ser cristão. Não há nada mais terrível quando se justifica os nossos desapontamentos com o comportamento dos outros.

4. A desilusão do ser cristão não se dá tanto por razões interiores de dúvidas, mas por razões totalmente exteriores e frequentemente por causa da conduta dos outros, aqueles em quem foram dadas altíssimas responsabilidades e neles depositamos as maiores expetativas. Quando se percebe que afinal, desses tais, também pode vir o mal, para que serve ser cristão, quando até custa menos não sê-lo.

5. Se não custa nada ser cristão, coisa que não me parece ser assim tão linear. Ao contrário, custa ser cristão. Custa o sacrifício da paz, porque a paz é a principal preocupação do ser cristão; custa o sacrifício da segurança, porque a vida não se faz sem o abraço com os outros, com a natureza; custa o sacrifício da alegria, porque a alegria é o fermento da existência, a alegria indizível, inefável, mas também a alegria concreta; custa o sacrifício da esperança, porque se crê na «vida eterna», com os pés bem assentes no presente; custa reconhecer e testemunhar que Deus existe, ponto essencial para se reconhecer cristão; custa reconhecer que Cristo, sendo o maior derrotado da história, provocou a maior de todas as «revoluções», a revolução do amor até pelos inimigos; custa anunciar a vida eterna e plena, face a tanta miséria que a humanidade apresenta e que frequentemente nos faz reconhecer que não devia haver compreensão, mas implacável justiça que levasse à condenação todos os maus que este mundo apresenta; custa também saber que pode existir a condenação eterna, porque não se reconheceu o mal e toda a desgraça que se provocou…

6. Há uma infinidade de coisas que custam muito ao cristão ter que dizer e procurar fazer, que se não pensasse nelas, podia ser argumento que justificasse que afinal até ver, custa menos ou nada não ser cristão.

1 comentário:

LOO ROCK disse...

Caro Senhor,
Gosto sempre de passar pelo seu blogue. O motivo é simples! Gosto de ler assuntos que nos façam crescer, que nos questionem e nos façam pensar. E aprendo sempre com os seus textos e/ou dos convidados a dar opiniões diferentes. Gosto de me questionar o porquê das coisas, tal como as crianças fazer perguntas aos adultos, eu tento questionar as mesmas, e pode crer que as interrogações são muitas. Quanto à sua última questão, é tão vasta e complexa. Não sei o que a Igreja deseja dos seus cristãos ou o inverso. Penso que ser cristão poderá ser respeitar os outros ou ajudar os que mais necessitam. Isso por si só, é um acto de dar sem limites, um sorriso poderá ser um acto de solidariedade com um poder imenso e contudo, tão simples. E na sua simplicidade, ser um acto cristão.